12/07 - pior que uma família de japonês que adora videokê é uma família brasileira que adora videokê
pior que família brasileira que adora videokê é quando toda a família jura que sabe cantar
13/07 - domingo: parte legal, almoço em família, comida boa, e umas 30 páginas do mynewfavouritebook [não, não perdi no Trivia Pursuit de propósito]
14/07 - segunda: fui num lugar estranho, sentei numa cadeira macia em frente a uma tevê e depois de dez minutos girando uma manivela consegui ler meu email, infelizmente, não recebi nenhum email exigindo que eu voltasse ao trabalho no mesmo dia
[sim, ganhei a 2a partida do Imagem & Ação de propósito]
PS!!!jamanta não é anta, jamanta nem é bicho, jamanta fez boom, e jamanta não matou sandrinha
15/07 - self abducted
16/07 - perdi o dia por W.O
17/07 - Me pergunto se os dias anteriores realmente existiram ou foram criados por mim como refúgio psicológico para não cair em desespero
[mea culpa - sou uma drama queen]
Passeio em Rio Preto - shopping novo - Flávio bombardeado por sorvete - paquera com sapato puket - casa nova da Vanessa, delícia de pudim de chocolate!!!
18/07 - Volta pra casa com excesso de bagagem, pelo menos 100 kilos a mais em forma dupla de avareza, sobre isso não vou comentar agora, pois o assunto vale um post inteiro.
Ainda não tive tempo (ou melhor, cabeça) pra narrar o hiato holocaústico ao qual se resumiu minha semana de férias, e tinha prometido a mim mesmo que só publicaria algo novo quando o fizesse mas vou quebrar a promesa pra vomitar o pensamento medonho que me invadiu a cabeça:
...sempre achei canalhice pessoas que riem e mostram a gengiva.
Todo o dia era a mesma coisa, por responsabilidade fazia as coisas que precisava fazer e por uma pretensa liberdade fazia as coisas que ela mesma escolhia, e sempre escolhia igual, as mesmas coisas, os mesmos horários, a mesma duração, e ela não notava que estava presa em sua própria liberdade. Se ela mesma escolhia o que fazer, porque nunca fazia de outro jeito? Sentia-se cansada e insatisfeita naquilo que ela mesma escolhera como ofício e se sentia entediada com as escolhas de lazer que fazia. Era vítima de suas próprias decisões e veladamente culpava-se por isso. Culpava-se também por não tentar ser diferente, por não saber como se desviar daquilo tudo. Construíra uma redoma para proteger-se de tudo mas era dela mesma que ela precisava proteção. Um dia, ela acredita, será diferente. Não são olhos otimistas de quem se engana para viver melhor, são olhos realistas de quem crê na lei das probabilidades, mesmo quem muito erro, um dia há de acertar. Ensaia um novo passo aqui e ali, mas tropeça e fica se observando de fora. As pessoas ao seu redor não parecem notar e também não poderiam pois ela não deixa transparecer e eles têm suas próprias redomas para cuidar. E é assim que ela tem visto o mundo, como um gigantesco B-612 onde as pessoas, em suas redomas cultivam seus vulcões e na maioria das vezes, esquecem de suas rosas.
Humpf!!! Cansada depois de 2 dias de "aproveitar" as férias. Essa é uma das grandes ironias da vida, quando você é jovem, você tem disposição mas não tem grana e/ou transporte, agora que me tornei oficialmente uma balzaquiana, depois de dois de férias já estou pedindo arrego. Resumindo: o passeio ao Museu do Ipiranga e ao Zoológico seguidos do churrasco da escola do Flávio simplesmente A-C-A-B-A-R-A-M comigo. Sinto dores em todo o corpo, estou com olheiras e tudo isso não valeu a pena porque o animal que eu mais queria ver não tinha no zoológico, snif...
Alpaca
Analisando bem nem acho que tenham sido as quase 6 horas de ônibus, nem as longas caminhadas durante a visita que me destruiram. O que me deixa de queixo caído e totalmente desanimada é a realidade dos animais, não os que estavam no zoo, mas os que foram com a gente. Por ser um passeio escolar, estavamos rodeados de crianças e alguns pais, e quando mais perto de crianças eu fico menos eu gosto dos procriadores. Não me conformo com os valores que os pais transmitem pros filhos através de seus exemplos, como aconteceu na volta pra casa. O horário marcado era as 16:30 na entrada do zoológico, claro que quando há 4 ônibus contendo um total de 180 crianças envolvido, espera-se algum atraso, mas o que não se espera é que esse atraso supere os 40 minutos e que sejam de 2 crianças que estavam acompanhadas das suas respectivas mães, ou seja, não só essas "criaturas" nos fazem atrasar, como também mostram pros seus filhos que seguir acordos não é necessário, que respeitar o próximo é menos necessário ainda e que a palavra de um homem não tem nenhum valor. Ri-di-cu-lo, simplesmente, ri-di-cu-lo!!!!
Fico também tentando entender como essas crianças da periferia e alunos de escola pública conseguem ter celulares 5 vezes mais caros que os meus, como conseguem ir a um passeio e gastar bem mais do que eu gastei, na maioria das vezes com banalidades, e claro, se for sugerido por um professor que eles comprem um livro, logo aparecerão mil impecilhos...e mais uma vez eu me pergunto, que pais são esses, que preferem comprar um playstation a livros novos? Preferem pagar uma mensalidade de uma Tv de tela plana a pagar uma mensalidade de um curso de inglês. O que esperar dessas crianças se elas são, claro, vítimas de seus próprios pais?
Aproveitando meus quinze dias de alforria, comecei a ver os filmes que perdi no cinema. Comecei ontem com Sweeney Todd, o barbeiro demoníaco da Rua Fleet - e por ser um tanto quanto “intuitiva” na hora de escolher filmes, dificilmente leio resenhas, prefiro ser “comprada” pelo título, pelo cartaz, e no máximo pela sinopse, resenhas, só leio depois de ter visto o filme, assim não me deixo influenciar e não quebro nenhuma surpresa, o que no caso de Sweeney Todd não são poucas.
A primeira vem na abertura quando Johnny Depp aparece cantando com um marinheiro, eu não sabia que se tratava de um musical mas não desanimei. Nesse caso, a surpresa só me atiçou a curiosidade de ver como Tim Burton manteria o lado sombrio da estória em um musical o que ele fez de forma ímpar. É interessante como há diretores e atores que fazem bem tudo o que se propõem a fazer e este parece ser o caso de Johnny Depp e Tim Burton.
A segunda surpresa é a estória por trás de todo o sangue, Sweeney Todd não era um serial killer qualquer, ele era um homem perturbado pelas injustiças sofridas e queria vingança. Nada mais natural que ele a fizesse com o instrumento que tinha nas mãos, o que por razão de seu ofício, eram belas navalhas. O que não surpreende é ver Johnny Depp cativar o espectador e torná-lo seu advogado de defesa mesmo com o banho de sangue falso que o filme nos traz.
Também me surpreendeu o tom romantizado do filme, transformando o que seria um suspense ou um massacre em um drama, onde todos os personagens são profundamente solitários e tristes, mesmo o jovem Toby é uma criança amargura, com uma carga emocional pesada que nos faz pensar em cada uma de suas estórias de vida. Mesmo nos sonhos da Sra. Lovett, em que ela sonha com a praia e com picnics ao ar livre, o tom é pesado, triste, ficando claro que aquilo sempre será um sonho.
Minha intuição ainda me traz surpresas mas no caso do barbeiro demoníaco, todas elas são gratificantes.
The first rule of Fight Club is - you do not talk about Fight Club.
The second rule of Fight Club is - you DO NOT talk about Fight Club.
Third rule of Fight Club, someone yells Stop!, goes limp, taps out, the fight is over.
Fourth rule, only two guys to a fight.
Fifth rule, one fight at a time, fellas.
Sixth rule, no shirt, no shoes.
Seventh rule, fights will go on as long as they have to.
And the eighth and final rule, if this is your first night at Fight Club, you have to fight.
Estranheza das pessoas, de seus mundos, de seus modos. Observo e vejo o que não me é comum. Gosto às vezes, noutras não. Fico feliz por não tentar imitá-las. Inveja é ocasional. Logo passa. Pra não deixar passar o chavão: A grama é sempre mais verde no quintal do vizinho. Por isso mais cães deixarão seus cocôs por lá. Me alivia não me saber mais tão misantropa quanto era antes. Continuo arisca. Não procuro mais respostas. Elas não adiantam se você não sabe fazer a pergunta. Apenas espero. Assisto minha vida como espectadora. Tento aprender a perguntar. Pra depois aprender a escolher. E possivelmente não mais estranhar.
I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!
Sou uma civil. Trabalho. Pago as contas (nem sempre em dia). Falo sempre a verdade (quase sempre). Dou a vez a velhinhos. Não suporto crianças. Faço artesanatos. Respeito as leis. Tento aceitar o Não. Gosto de música calma. Não bebo. Não fumo. Não cheiro. Neat and Tidy. Passei no CPE. Tenho relógio novo... chega!!! Isso tudo não me dá direito de ser um pouquinho abusada???